Questões
linguísticas
Muitas feministas argumentam que Deus não deverá ser visto como somente
masculino. Algumas chegaram até a referir-se a Deus com “ela”. Mas nunca
ouvi as feministas referirem-se ao Diabo como “ela”. Porquê? Pretendem
que apenas as coisas boas da vida seja femininas?
Nos países ocidentais a linha feminista tem insistido na “linguagem sexista”.
Particularmente nos anúncios de empregos. Em língua inglesa, em que
os nomes de algumas ocupações têm terminação em man (homem) começaram
a recomendar que estes nomes fossem substituídos. Por exemplo fireman
(bombeiro) por firefighter, ou drafstman (desenhador)
por drafstperson.
A principal razão invocada para estas mudanças é que se o vocabulário
usando os termos no masculino discrimina as mulheres por fazer supor
que se aplica apenas a homens. Isto, aparentemente, desencoraja as mulheres
a concorrerem às referidas posições e torna menos provável que alguém
as seleccione para estas posições. Este é um argumento razoável.
Mas muitas ocupações não são muito atractivas para as mulheres, e nestes
casos as alterações dos nomes parece-lhes muitas vezes perda de tempo
e de dinheiro. Não é como se todas as ocupações predominantemente masculinas
fossem mais bem pagas e mais atractivas que as profissões predominantemente
femininas! Muitas delas são sujas, perigosas e mal pagas. Muitos mais
homens que mulheres morrem em acidentes de trabalho. Isto, por si só,
é o assunto dos direitos dos homens (Work-Day Dream, zohrab.org/199enslt.html#Dream).
Critérios duplos
A campanha feminista para eliminar o duplo critério na linguagem não se
aplica apenas a termos ocupacionais. Palavras de língua inglesa tais
como, chairman (presidente de assembleia) ou spokesman
(porta-voz) e mesmo termos como chick (referido a mulheres) estão
sob ataque das feministas. Tudo bem, mas mais uma vez, quando implica
estereótipos negativos, elas parecem querer deixar os termos como estão,
como por exemplo, em gunman (pistoleiro) em vez de gunperson
ou outro igualmente neutro. Desde que o termo denigra apenas os homens,
elas ficam felizes. O termo gunman afecta todos os homens, porque
dá a ideia de apenas os homens andarem a matar pessoas com pistolas.
Porque insistem as feministas em palavras sexualmente neutras para algumas
coisas mas não para outras? Porque querem que as mulheres sejam vistas
como potenciais chairpersons, mas ficam contentes por só os homens
serem vistos como potenciais gunmen. As feministas dizem frequentemente
que pretendem igualdade entre homens e mulheres, mas no que se refere
a linguagem sexista é óbvio que também é mentira. As feministas não
são mais que grupos de pressão e devem ser tratados de acordo com isso.
Eis uma passagem do livro feminista, Woman’s Consciousness, Man’s World,
por Sheila Rowbotham (1973, Baltimore: Penguin Books) que estabelece este
caso razoavelmente bem:
A linguagem da teoria expressa apenas a realidade dos opressores.
Fala apenas para o seu mundo e do seu ponto de vista. Ultimamente o
movimento revolucionário tem que quebrar a prevalência do grupo dominante
sobre a teoria, tem que estruturar as suas próprias ligações. A linguagem
é parte da ideologia política e do poder legislativo (pág. 32-33).
Concordo com parte deste texto. O problema agora é que a linguagem de
política sexual é preponderantemente a linguagem das feministas. Expressa
principalmente a realidade que as feministas pretendem mostrar. Fala
apenas para o seu mundo e do seu ponto de vista. Com os seus departamentos
de estudos sobre mulheres, os seus meios de comunicação social dominados
pelo feminismo e os seus ministérios de assuntos sobre mulheres têm-se
tornado as opressores nas sociedades modernas ocidentais
Poucas sociedades têm sido tão pouco monolíticas ou totalitárias (e
por tanto tempo) que os legisladores do estado (que têm sido, e continuam
a ser, principalmente homens) que têm controlado as subculturas controlem
as teorias abstractas. A sociedade tem sido usualmente descentralizada
o suficiente para permitir pelo menos algum grau (normalmente grande)
de autonomia aos artistas e universitários, etc., que controlam a linguagem
teórica. Isto não é dizer que anarquia ou verdadeira liberdade do discurso
sejam muito comuns, mas o que alguns políticos gostam de chamar “as
classes falantes” têm tido sempre a capacidade de espalhar as suas próprias
ideias e normalmente para seu interesse.
Estas são normalmente ideias frustradas desde os infames incidentes
das perseguições dos intelectuais. Sócrates (uma vítima de repressão),
o comunista assassino de massas cambodjano Pol Pot, e o imperador chinês
Qin Shih Huang, por exemplo. Estes incidentes tornaram-se famosos pelos
intelectuais que escreveram os livros de história, mas estes incidentes
são relativamente raros no contexto da história como um todo, e os intelectuais
sempre retomam o controlo da sociedade. As ideias de MnCarthe na América,
por exemplo, foram extraordinariamente mal sucedidas, e Hollywood é
agora um poder internacional supremo de propaganda de esquerda liberal.
Agora, quando os modelos liberais ocidentais de liberdade económica
e intelectual estão espalhados em países que foram anteriormente ditaduras,
na nossa cultura ocidental entregámos a liberdade intelectual a guardiãs
feministas do politicamente correcto. Os opressores a que Rowbotham
se referia são então os regulamentadores da teoria académica, que cada
vez em maior número, são feministas. Assim, os movimentos masculinos
devem quebrar a prevalência feminista nas teorias sexuais: temos que
estruturar as nossas próprias ligações. A linguagem feminista, com os
seus lemas, é parte do poder político e ideológico dos nossos legisladores.
Porque é que os departamentos governamentais e os meios de comunicação
social ordenam aos seus funcionários que usem palavras como “chairperson”
ao mesmo tempo que não se importam com “gunman”? As feministas
acham correcto porque os únicos que são denegridos com estes termos
são os homens, o que implica que as únicas pessoas que usam agressivamente
pistolas são homens. Por outro lado não se deve dizer “chairman”
porque discriminamos as mulheres, e alguém pode pensar que as mulheres
são menos capacitadas que os homens para estas posições.
Captura linguística
Aqui o meu ponto de partida é um artigo de 1989 de Janet Holmes, uma bem
conhecida sociolinguísta e feminista. O artigo, intitulado Linguistic
Capture: Breaking out of the Language Trap, atacou o alegado efeito
no pensamento das pessoas da “nova correcta” terminologia económica
por um lado, e a chamada “linguagem sexista” por outro.
O título sugeriu a Holmes e suas leitoras onde descobrir um fim do espectro
político, e “sexista” juntamente com a nova direita. Mas não há falta
de feministas de direita. O feminismo foi associado com a esquerda porque
os esquerdistas tendem a encontrar categorias de pessoas oprimidas em
todo o lado, e não por causa da lógica das respectivas ideologias.
Certamente que o masculinismo e o movimento dos homens, como eu o vejo,
pode apelar a qualquer parte do espectro político. De facto, parece
ser o caso: Richard Doyle é conservador, Rod van Mechelen é um liberal
moderado e John Knight é de direita, mas Warren Farrel, Ferrel Christensen
e David Ault são liberais. Se a cultura popular reconhece os caminhos
nos quais os homens são oprimidos, espero bem que estes esquerdistas
que se opõem à repressão se nos junte e nos apoiem.
Filiações políticas aparte, Janet Holmes não define o termo captura
linguística no seu artigo, mas é claro o que ela pretende significar
com ele. Tal como os computadores processadores de dados, todos os seres
vivos processam o ambiente que os rodeia. Por outras palavras, eles
interpretam e impõem um modelo no que percebem ao seu redor. Considero
que captura linguística é outro, embora sofisticado, exemplo deste tipo
de acto criativo que todas as formas de vida fazem durante toda a vida.
Neste sentido, os artistas “captam” o seu ambiente nas suas descrições.
Os nossos olhos e cérebros “captam” uma parte do ambiente quando interpretam
um desenho como sendo duas faces pretas ou um castiçal branco, como
no famoso exemplo das ilusões ópticas. E uma dada teoria científica
(incluindo a linguística) “capta” a realidade de um modo diferente daquele
que outras teorias o fazem.
Nesta base, concordo com muito do que Janet Holmes escreve, por exemplo:
... a crença de que a linguagem influencia as nossas percepções do mundo,
de que afecta o modo como vemos a realidade, e pode servir para manter
e reforçar as já existentes desigualdades e desequilíbrios (página 18).
e
Há caminhos alternativos. Existem rótulos alternativos. Não há apenas
um modo de descrever o mundo, e não somos obrigados a aceitar qualquer
ponto de vista do que está a acontecer. De facto podemos argumentar
razoavelmente que alterar a linguagem é uma estratégia possível para
alterar as atitudes e percepções do mundo.
também:
... as mudanças que fazemos, tais como o uso deliberado da terminologia
não sexista, são opções importantes que reflectem um desejo de mudar
o poder político instituído.
e finalmente:
... precisamos de estar constantemente vigilantes de que não permitimos
que relações de poder injustas se reproduzam por aceitação irreflectida
de representações particulares da realidade. Precisamos de não nos deixarmos
controlar e oprimir por modelos da nossa própria linguagem. Temos sempre
uma opção. O que é importante é que a exercitemos.
Eu vejo o termo “sexista” (não em si próprio, mas do modo que tende
a ser usado para apelar a qualquer coisa que as feministas discordem)
como servindo “para manter e reforçar as desigualdades e desequilíbrios
já existentes”.
Vejamos um exemplo dos meios de comunicação social, que parece bastante
mais sob controlo totalitário das feminazis. No início de 1990, houve
um caso bastante publicitado de um homem no Canadá que matava estudantes
de engenharia femininas porque (de acordo com os meios de comunicação
social) era anti-feminista. Apesar de posteriormente se suicidar, a
minha intenção não é aclamá-lo primeiro mártir da resistência anti-feminazi,
ou qualquer coisa do género. No entanto, ouvi outra versão desta notícia
noutro programa noticioso que fluentemente o descrevia como “sexista”.
Os meios de comunicação social usaram simplesmente os dois termos sinonimamente
mas nunca justificaram porque era ele anti-feminista ou que ideologia
tinha.
As existentes desigualdades e desequilíbrios da sociedade neozelandesa
especificamente, e sociedade ocidental em geral, em que as mulheres
são designadas de “minoria oprimida” (enquanto são de facto uma maioria
privilegiada), são mantidos e reforçados pelo uso perverso do termo
“sexista” para exprimir a expressão de opiniões anti-feminazi. Exemplo
de captura linguística. Há muita subjectividade envolvida na decisão
de quando e onde a referência a sexo e género é apropriada ou desapropriada.
Por exemplo, Vetterling-Braggin (Sexist Language: a Modern Philosophical
Analysis, Totowa, New Jersey: Rowman and Littlefield 1981) faz algumas
alegações controversas sobre o termo “sexista” e assume que toda a gente
concorda com ela:
O argumento que nós normalmente usamos para distinguir frases
“sexistas” de “não sexistas” não é descabido. Por exemplo, para o conjunto
de sentenças
1. “As mulheres são terríveis condutoras.”
2. “Ela é um borracho.”
3. “Algumas mulheres conduzem mal.”
4. “Ela é uma mulher atraente.”
podemos
dizer que as duas primeiras são “sexistas” e que as outras são “não
sexistas”. (página 1)
Disparate. Os estudos das companhias de seguros rotineiramente concluem
que os homens jovens estão mais frequentemente envolvidos em acidentes
de carro do que outros grupos populacionais de sexo ou idade diferente.
Alguém já argumentou que esta conclusão é sexista? Duvido que a maioria
das feministas considerem “sexista” dizer que os homens jovens são piores
condutores. De facto, uma companhia de seguros na Nova Zelândia anunciou
recentemente na televisão que oferecia prémios às mulheres condutoras
com a justificação de que elas são melhores condutoras que os homens!
Estes anúncios baixaram de tom após os protestos dos homens, incluindo
eu próprio, mas a discriminação anti-masculina torna-se mais séria quando
afecta o seu bolso! Estou seguro de que estas taxas diferenciais seriam
consideradas ilegais se favorecessem os homens!
De modo similar, penso que se alguém disser que as mulheres são más
condutoras sendo a sua experiência, não deverá ser acusado de sexismo.
Muitas vezes o termo “sexismo” tem sido usado com pouco cuidado sobre
o seu significado. Mesmo os dicionários estão sujeitos a erro humano.
Por exemplo, a edição de 1974 do dicionário Merriam-Webster definia
“sexismo” como se apenas as mulheres pudessem ser vitimas dele:
Sexismo ...: Prejuízo
ou discriminação contra as mulheres.
É uma indicação de que a sociedade ganhou alguma maturidade o facto
de o mesmo dicionário numa edição de 1999 (www.britannica.com) definir “sexismo” do modo
seguinte:
1. Prejuízo
ou discriminação baseada em sexo; especialmente contra as mulheres.
2. Comportamento,
condições ou atitudes que promovem estereótipos dos papeis sociais baseados
no sexo.
No entanto, estas continuam a ser definições sexistas de “sexismo” devido
à menção especial que nelas se faz às mulheres. Indiscutivelmente, a
definição de 1974 é ainda mais sexista que a de 1999. O interessante
é que sob a definição de 1974, é impossível para um homem reclamar que
algum acontecimento contra si seja sexista. Isto é uma boa demonstração
do poder das palavras!
Na prática, a palavra “sexista” tem sido manipulada de tal modo que
por vezes parece significar exactamente “aquilo que as femenistas não
gostam”. Por exemplo, quando a União de Estudantes da Universidade da
Tasmânia, Austrália, votou em 1999 a criação de posição de “representante
dos homens”, houve um jornal que afirmou que este movimento era sexista!
(www.news.com.au/news_content/state_content/4375467.htm).
Pessoalmente, devo dizer que ter uma “representante das mulheres” sem
uma posição equivalente para os homens tem sido o cúmulo do sexismo
(como para o ponto 1 da definição de sexismo de 1999), e a tentativa
de estabelecimento de um equivalente masculino na universidade da Tasmânia
apenas iria equilibrar o sexismo previamente existente! A ideia de que
as mulheres são oprimidas e os homens não, é um estereótipo sexista,
e tendo representantes especiais, ministérios e departamentos apenas
para as mulheres e assuntos de mulheres constitui sexismo atendendo
à secção 2 da sua definição de 1999.
Em 14 de Agosto de 1991, um jornal suburbano, o Wainuiomata Advertiser,
foi forçado por uma carta do meu advogado a publicar um pedido de desculpas
a mim. Eu tinha escrito uma carta a reclamar que o Parlamento tenha
feito um debate sobre “as mulheres e as famílias”, quando nunca tinham
feito um sobre “os homens e as famílias”. O jornal imprimiu duas respostas
à minha carta, dando-lhes os títulos de “resposta a uma carta sexista”
e “outra resposta a um sexista”, respectivamente. Uma vez que não havia
qualquer conteúdo sexista na minha carta, o jornal foi forçado a desculpar-se
por ter chamado “sexista” àquilo que queriam apelidar de “anti-feminista”
Parece mais notório que as mulheres, em geral, tendem a cometer mais
erros de condução que os homens (provavelmente menos perigosos que os
que cometem os homens jovens), e por isso alguns homens podem ter um
ponto de vista negativo das mulheres condutoras. Possivelmente também
porque estes erros são diferentes dos que os homens têm tendência a
cometer.
As pessoas de ambos os sexos são motivadas
a sentir e expressar a ideia de que as pessoas conduzem mal, visto que
a má condução pode ser perigosa e levar a frustração e nervosismo na
estrada. Do mesmo modo classificar a frase “ela é um borracho” como
sexista ignora os factores óbvios do estilo e do contexto. Para um homem
que é sexualmente atraído por uma mulher em particular pode não haver
outra expressão emocional e estilística que expresse aos seus companheiros
exactamente aquilo que são os seus sentimentos sobre essa mulher. É
simplesmente ridículo dizer, como Vetterling-Braggin sugere, que este
homem deveria ter dito “ela é uma mulher atraente”.
Uma mulher heterossexual pode dizê-lo sobre outra mulher, mas muitos
homens heterossexuais precisam de conter-se para se expressarem nestes
termos neutros e quase objectivos. A atitude implicita na sugestão de
Vetterling-Braggin’s aparece como se os homens devessem ter e expressar
apenas as atitudes que as mulheres teriam em relação a outras mulheres.
Isto é completamente inaceitável, não realista e mesmo sexista! Para
repetir o ponto de vista de Janet Holme:
Há caminhos alternativos. Existem rótulos alternativos. Não
há apenas um modo de descrever o mundo, e não somos obrigados a aceitar
qualquer ponto de vista do que está a acontecer. De facto podemos argumentar
razoavelmente que alterar a linguagem é uma estratégia possível para
alterar as atitudes e percepções do mundo.
Os dois podem jogar neste jogo. Usando termos como “feminazi” e “masculinista”,
os homens podem defender-se a si próprios e adquirir alguns direitos,
mesmo nos países ocidentais. O problema é que o feminismo, no seu aspecto
político mais do que teórico, é essencialmente uma forma persistente
de introduzir tensão na sociedade. Por conseguinte, isto coloca a mulher
num papel tradicional de esposa enervante. Os homens não têm um paralelo
na história, e é até “cobardia” para um homem atacar uma mulher (mesmo
a feminazis). Também não é socialmente aceitável para um homem admitir
que a mulher tem mais poder em casa.
Ouvi dizer de um homem que tinha escrito em vários locais de sua casa
coisas do género, “aqui quem manda sou eu e tenho autorização da minha
mulher para o dizer.” No capítulo sobre “a fraude do domínio masculino”,
refiro que isto é uma metáfora para o sistema político nos países ocidentais
actualmente. A menos que os homens adoptem tácticas semelhantes às das
feminazis, não há virtualmente limite no modo como as feministas podem
destruir o estatuto do homem nas sociedades ocidentais. Deste modo precisamos
de mais homens do que aqueles que são suficientes para protestar, gritar
e rosnar às (será ousado dizê-lo) cadelas que mordam a qualquer um que
tenha a coragem de lutar pelos simples direitos humanos dos homens.
As feministas começam a estar tão descuidadas que estão inclinadas a
ter por “homem autêntico” apenas aqueles meninos bonitos e mansinhos
que fazem tudo certinho num sistema cada vez mais matriarcal. É preciso
coragem para nos aguentar-mos aos seus golpes baixos. Voltando novamente
à terceira citação do artigo de Holmes:
... as mudanças que fizemos, tais como o uso deliberado de terminologia
não sexista, são mudanças importantes que reflectem um desejo de desafiar
o poder instalado.
O poder político no mundo ocidental geralmente adapta-se às prioridades
feministas. Podemos constatá-lo por comparação das condições actuais
com as condições de há umas poucas décadas em relação ao aborto, igualdade
salarial, legislação sobre violação, legislação sobre divórcio, atitudes
em relação ao assédio sexual, legislação sobre violência doméstica e
por aí fora. Para não mencionar que a maioria dos eleitores são mulheres.
Certamente, que os representantes que elegem são essencialmente masculinos,
mas estes representam a consciência feminina e defendem os assuntos
femininos.
As activistas feministas captaram o nosso sentido linguístico da realidade
e estão a incluí-lo na sua ordem de trabalhos. Para referir Holmes novamente:
... precisamos de estar constantemente conscientes de que não
permitiremos relações de poder injustas que reproduzidas por aceitação
irreflectida do modelo da nossa linguagem. Temos sempre alternativa.
O que é importante é usá-la.
O tempo de aplicar as nossas alternativas é agora. “É pegar
ou largar”.
Poder e linguagem
Elshtain (1982) é outro trabalho feminazi sobre a relação entre poder
e linguagem. Ela cita, com aparente aprovação, a passagem seguinte de
Rowbotham (1973):
A linguagem
da teoria expressa apenas a realidade dos opressores. Fala apenas para
o seu mundo e do seu ponto de vista. Ultimamente o movimento revolucionário
tem que quebrar a prevalência do grupo dominante sobre a teoria, tem
que estruturar as suas próprias ligações. A linguagem é parte da ideologia
política e do poder legislativo (pág. 32-33).
No contexto do feminazismo, no entanto, este argumento pode ser entendido
globalmente como um grande tema sobre teoria de política sexual desenvolvida
pelas femininazis. Podemos concluir pelo acima exposto que à medida
que política sexual começou a fazer parte da ordem de trabalhos das
feminazis, têm sido elas que têm oprimido os homens, e tem sido o ponto
de vista dos homens que tem sido esquecido ou raramente tido em conta.
Noutros capítulos desenvolverei este tema com mais detalhe. Por agora
é suficiente fazer notar a distinção entre o ambiente social pré-feminista
e o presente matriarcado nas sociedades ocidentais. Então, como continua
a acontecer em muitos países, os homens correm o mundo em benefício
de toda a população havendo um equilíbrio entre os direitos e responsabilidades
nos papeis do homem e da mulher. Actualmente, a presunção ideológica
de opressão pelos homens tem dado carta branca às feministas para colorirem
cada aspecto da sociedade com um tom anti-masculino. As feministas usam
a linguagem como instrumento nesta cruzada anti-masculina.
Conclusão
Muitas das inconsistências e hipocrisias do feminismo tal como é praticado,
resultam de uma prática de vitimização. Isto é baseado numa análise
simplista e ingénua da natureza do poder político (ver o capítulo sobre
“a fraude do domínio masculino”). Armadas do que é um direito delas,
mas cujo sentido é erróneo, as feministas estão a tomar conta da linguagem
assim como de outros aspectos da nossa sociedade. Onde os seus argumentos
são justificados, devem ser aplicados de forma consistente, mas onde
forem falaciosos, os linguistas devem sentir-se suficientemente livres
para os refutarem. Isto pressupõe medidas políticas que permitam às
universidades o restabelecimento do direito à liberdade de consciência
pré-feminista.